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Uma scena

Meu tio José cochilando
á cabeceira da meza;
ao lado d’elle bordando
a minha tia Thereza.

No chão Rozinha brincando
co’ uma boneca franceza;
mais adiante o Fernando
dando beijocas na Andreza.

A prima minha Silena,
bella menina morena,
sentada n’um canapé...

E, D. Dulce, agregada,
contempla a nossa creada
Eva coando café.

Almanach Paranaense (1900)

Supplica

Ao Elpídio Werneck

Dizem sinos n’um tom de magoa que apavora
Tanto como do vento o soluçar funereo:
Elza, a loira, partio ao despontar da aurora
Para a longe Região do Nada e do Mysterio.

Anjos, almas de luz onde a piedade mora,
Vós que á noite tangeis um rutilo psalterio,
Guiai-a pela mão, não n’a deixeis agora
Vagar tristonha e só por esse espaço ethereo.

A sorrir, a sonhar, Ella partio tão pura
Para junto de vós que viveis entre flores
Aos pés do almo Jesus nessa infinita Altura...

Oh! guiai-a por Deus, ensinai-lhe o caminho...
E para Ella pedi á Senhora das Dores
Um olhar de piedade, um maternal carinho.

Azul (1900); Almanach Paranaense (1901)

Enygma por syllabas

A primeira com terceira,
Ou terceira com primeira,
Sempre dão a mesma cousa;
Logar onde se repousa.
Ultima junto á terceira
Ou esta com derradeira
Dão-nos fructas differentes,
Mas gostosas excellentes
A segunda duplicada
Custa muito a ser achada;
O todo é sempre apparato,
Um simples gatto do matto.
1 — 2 — 3 — 4 —

Almanach Paranaense (1904)

A solução é:
- "A primeira com terceira, ou terceira com primeira, sempre dão a mesma cousa; logar onde se repousa." A primeira e terceira sílabas são MA e CA, formando MACA e CAMA;
- "Ultima junto á terceira ou esta com derradeira dão-nos fructas differentes, mas gostosas excellentes." A última sílaba é JA, formando JACA e CAJÁ;
- "A segunda duplicada custa muito a ser achada." A sílaba é RA, que duplicada forma RARA;
- "O todo é sempre apparato, um simples gatto do matto." As sílabas juntas formam MARACAJÁ.

Contraste (2)

Quando dos labios soltas um sorriso,
Te contemplo, donzela, loucamente;
E julgo então ser o mundo um paraíso,
Onde vivo te amando eternamente.

Mas si vejo estampados no teu rosto
Indicios de um pezar agudo e forte,
Sinto em min’alma um intimo desgosto,
Que pouco a pouco me vai dando a morte.

Almanach Paranaense (1899)

Charada 2

Ao primeiro charadista paranaense Euclides Bandeira

Quiz convencer-me hontem o sapateiro
José Joaquim da Silva Liberato;
Rapaz que fama tem de mui bregeiro
Que este couro se encontra no sapato — 2

E muitas horas discutiu commigo...
E concluiu assim o tal sugeito:
“Quem se lembrar de discutir comsigo
“Bata mil vezes um calháo no peito — 2

O mais interessante é que a disputa
Ia bastante grave se tornando...
Mas eu para evitar tremenda lucta
Como uma ave me raspei, voando.

Almanach Paranaense (1900)

Esta é uma das charadas típicas da época da "Charadomania" à qual se rendeu a Curitiba contemporânea de Adolpho Werneck. A solução é encontrada formando uma palavra com outras palavras, sugeridas por dicas compostas por uma descrição e um número de sílabas.
Ainda estou tentando decifrá-la, enquanto meu desmorto bisavô me contempla com o sorriso desdenhoso de sua caveira. Atualizarei esta postagem à medida que for tentando.
Creio que "couro que se encontra em sapato" possa ser "napa".
Esta página traz vários tipos de couro. Estou considerando "sola".