Mostrando postagens com marcador Folha Rosea. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folha Rosea. Mostrar todas as postagens

Villancete (3)

Eu vos quiz antigamente,
Hoje não vos quero mais.
Sois-me agora indifferente
Como as mulheres banaes.

VOLTAS

Meu coração já não sente
O amor que por vós sentio;
Eu vos quiz antigamente
Com fervor e desvario.

O vosso desdem, emtanto,
Magoou-me como punhaes,
E se outr’ora eu vos quiz tanto,
Hoje não vos quero mais.

Daquella paixão ardente
Não resta sombra siquer;
Sois-me agora indifferente
Como outra dama qualquer.

Se me encantastes outr’ora,
Hoje vós não me encantaes.
Para mim sois vós agora
Como as mulheres banaes.

Eu vos quiz antigamente
Como um louco quer a alguem;
Porque vos via ridente
Eu era a sorrir tambem.

Hoje não vos quero mais
E não vos querendo, emfim,
A pureza das vestaes
Já não tendes para mim.

Sois me agora indifferente,
Nada em vós a mim seduz.
Si passaes á minha frente
Vejo um astro sem ter luz.

E nem vos distingo, ao menos,
Das outras com quem andaes,
Que vos vejo, minha ex-Venus,
Como as mulheres banaes.

25-8-1911
Folha Rosea (JUN/1912)

De volta

Retornaste afinal, depois de prolongada
Ausencia, que me encheu o coração de assombros
E me fez da existencia uma cruz tão pesada
Que eu não sei como pude aguental-a nos hombros.

Mas, porque se fallar na tortura passada
Relembrando-a se jaz sob negros escombros?
A tristeza passou e, á alegria embalada,
A alma tenho a florir como lizes nos combros.

Recordemos somente os dias luminosos...
A dor que nos feriu, esqueçamol-a agora
Que a ventura nos chama ao palacio dos gozos.

Fiquem no olvido, pois, os desares do Fado,
Que para relembrar o mal que foi embora
Ninguem deve folhear o livro do passado.

Arco iris (1923); Folha Rosea (15/08/1911), com a nota “Coritiba, Julho de 1911”; As Armas e as Letras do Paraná, com a mesma nota