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Noivos

A' Dona Morena

Será nossa união
.  .  .  .  .  .  .  .  .
o duetto  .  .  .  .
de um astro e um coração.
Demosthenes de Olinda

Somos noivos, emfim!
                                   Casar-nos-emos quando
o alegre passaredo
andar cantarolando
pelas virentes copas do arvoredo.

Chegada a primavera,
a terra aberta em flores,
iremos ambos nós--doce chimera--
por uma estrada cheia de fulgores,
em direção á ermida
que se avista de cá e cujo carrilhão
pela manhã convida
os fieis á oração.

A' porta o velho cura
virá nos receber
rindo, talvez, porque nossa ventura
faz almas sans vibrarem de prazer.

Em presença do altar
contrictos ambos nós,
ao chão pregado o olhar,
murmuraremos o recebo a vós.

E pelo do hymineu sagrado laço
unidos, afinal,
voltaremos de braço,
venturoso casal,
pela mesma estrada
cheia de fulgores
ouvindo alem a alegre passarada
cantar feliz uma canção de amores.

Jansen de Capistrano

Villancete (2)

MOTE
Eu, por mal de meus peccados,
Um dia vos vi e, então,
Os vossos olhos malvados
Deram-me volta à razão.

VOLTAS
Os meus olhos sobre os olhos
Vossos puz e, por azar,
Vi-me em risco nos escolhos
Desses olhos verde-mar.
E, por mal de meus peccados,
A despeito do clamor,
Ninguem me escutou os brados
Por occupar-me do Amor.

Fôra melhor que os meus olhos
Os vossos vissem jamais...
Emtanto, a fugir de escolhos,
Tragou-me abysmo voraz.
Ao ver-vos, Senhora, os vossos
Olhos, que malvados são,
Alem dos demais destroços,
Deram-me volta á razão.

Quem vos fita cae na teia...
Porque sois, por vosso olhar,
Como a lendaria sereia
Que seduzia, a cantar.
E eu, por mim, confesso agora
Que, em vos vendo como vi,
Ferido de Amor, Senhora,
Mortalmente me senti...

Villa da Magoa.
Diario da Tarde (01/10/1910), como “Jansen de Capistrano”

Viboras

E’ uma cobra... Rasteja e assim de rastos ella
Anda de mouta em mouta e se um passo presente
Em derredor se espia e depois se ennovela
Prompta para assaltar a quem lhe passe rente.

E se deixa ficar, como uma sentinella,
Longas horas a fio, esperando somente
O momento em que possa, escancarando a guella,
Encravar com furor o envenenado dente.

Mas ninguem, afinal, se lhe approxima e a cobra
Que, se escuta rumor, de vigilancia dobra,
Sorrateira se vae de mouta em mouta, lesta...

Como essa ou mais crueis entre os humanos entes
Ha viboras tambem de peçonhentos dentes
Das quaes raro se escapa à mordida funesta.

Diario da Tarde (25/01/1911)

Trovas

Dizem que consola o pranto
Os males do coração,
E eu tenho chorado tanto
Sem lograr consolação.

Eu era alegre e sou triste
Como è triste a mulher louca.
Desde o dia em que partiste
O riso morreu-me á bocca.

Deixou-me a felicidade
Ao me deixares tambem,
Hoje vivo da saudade
Que me deixaste, meu bem.

Ainda sangra a ferida
Que me fizeste ao partir...
Ai vida, que não é vida
Quando não se pode rir!

Amores! Quem não os sabe
Não os procure saber,
Porque assim talvez acabe
Sem o pranto conhecer.

Tem caprichos o deos Eros,
Faz gozar e faz soffrer.
Por horas de agrores feros
Troca instantes de prazer.

Amei-te. Feliz minuto
Foi o minuto de amor...
Partiste... tarjou-me o luto
E choro cheio de dor.

Diario da Tarde (08/10/1910), como “Jansen de Capistrano”

Sós!

Juntos e sós, eis-nos, enfim! Agora
Não deves ter nenhum receio... Fala!
Que a tua voz esplêndida e sonora,
Como um trinado, cante nesta sala!

A ânsia de ouvir-te o peito me devora,
E o coração, cheio de anelo, estala.
Move êsses lábios de um rubor de aurora,
Abre essa boca que a lilás trescala!

Quanto mais tardas a falar mais cresce
O meu desejo... Fala! Quero, atento,
Ouvir-te a voz de meigas vibrações...

Mas, que tens? O teu rosto se enrubece!
Tremes?... Silêncio... Ao menos um momento
Falem de amor os nossos corações!...

Azul (1900); Victrix; O Paraná Mental; Sonetos do Paraná; Stellario nº1 (1905); Diario da Tarde (08/10/1904); Commercio do Paraná (26/09/1920)

Soneto (2)

Depois de procellosa tempestade...
Camões

De resto, a vida não é má. A gente
Soffre no mundo, mas contrabalança
A magoa, que lacera como lança,
O riso que se ri quando contente.

O coração que chora amaramente
Num choro dolorido de creança
Se transforma de subito á esperança
De claros dias de viver ridente.

Para julgar momentos de ventura
Mister sentir-se a sensação do agudo
Estilete de asperrima tortura...

Pois só se pode o goso aquilatar
Depois de ser batido pelo rudo
E rispido ciclone do desar.

Coritiba-Paraná
Diario da Tarde (24/06/1910)

Segredo

Talvez do meo amor eu te não fale nunca...
Melhor calar-t’o a ti que não déras remédio
A’ dor, que o coração, como uma garra adunca,
Me lacera feroz, enchendo-me de tedio.

Da espelunca ao bordel, do bordel á espelunca,
Como um louco, a cantar funerario epicedio,
Andarei a afogar a paixão que me junca
De estyletes o chão e me traz num assedio.

Jamais dir-te-ei, porem, como te quero, como
Por ti sinto vibrar o coração, que domo
A custo, qual se doma a panthera voraz.

Pequei por te querer e esse crime nefando
Commigo guardarei, levando-o à cova quando
Eu os olhos cerrar por não abril-os mais.

Villa da Magoa.
Diario da Tarde (23/09/1910), como “Jansen de Capistrano”

Primavera

Vem de surgir, mirifica, a manhã,
Helios, do Azul o rei magnificente,
Num vermelho sanguineo de romã,
Transpoz, ha pouco, os porticos do Oriente.

Rouxinoleios pela viridente
Floresta vibram, como se o deos Pan,
Soprando a flauta, que enlevava a gente,
Andasse a palmilhar erma rechã.

Sente-se o aroma dulcido das flores,
Pelo monte, a pascer o alvo rebanho,
Andam zagaes cantando os seus amores.

E, iguaes á minha que o pezar lacera,
Almas lembrando jubilos de antanho,
Parecem reflorir na Primavera.

Diario da Tarde (07/10/1911)

Num Album

Mimosa dama de belleza rara,
Pedindo versos, certa vez, á mão
De um poeta que a lyra abandonara
Poz um album — formato coração.

E o menestrel que out’ora decantara
Mulheres, flores, e astros da amplidão,
Triste falou-lhe: “Senhorita, para
“Rimar, agora, meu esforço é vão.

“A descrença apagou-me o enthusiásmo,
“Perdoae-me (eu vos rogo) a mim que pasmo
“Ante a vossa belleza e resplendor...”

Assim tambem vos falo neste instante:
Como quereis, formosa, que descante
Uma alma em que não mais crepita o amor?...

Diario da Tarde (13/08/1904)

Lea

Ai de mim, si de teos olhos
Não fôra a bemdicta luz,
Andara, por entre escolhos,
Aos hombros levando a †...

Ser-me-ia a vida um deserto
Muito maior do que o Sahara,
E da Amargura, por certo,
O guante me estrangulara.

Adeos Risos e Alegria,
Succumbira eu de pezar,
Se viesse a faltar-me, um dia,
O affago do teo olhar.

Olhos pretos que, no trilho
Da vida, meo guia são:
Olhos, olhos cujo brilho
Nunca as estrellas terão.

No Azul, uma noite, Sirio
Brilhava, alguem me contou,
Fitaste-a; tal qual um cirio
Ella logo se apagou.

Ouvi tambem: uma guerra
Houve entre os astros, no céo,
E tu, estrella da terra,
Foste a causa do escarcéo.

De teos olhos jamais esse
Brilho se extinga ou feneça,
Pois se tal acontecesse
Eu perderia a cabeça.

Diario da Tarde (15/03/1907), como “Jansen de Capistrano”

Illusão

Ao Raul Darcanchy

Porque me vês sorrir pensas que trago
n’alma a alegria, como um rossinol,
a cantar... Puro engano! As mais das vezes
o riso que nos brota á flôr dos labios
não traduz o sentir do coração.
Julgamos venturosos os que soffrem
os rigores crueis de atra desdita
e apparentam viver n’um mar de rosas...
Assim tambem d’aquelles que felizes
são realmente, e, emtanto, não parecem
lamentamos a sorte tormentosa.
Nós nos illudimos mutuamente,
uns aos outros nos vemos atravez
de um prisma differente... E se não fôra
isso a vida o que fôra, se ella apenas
consiste na illusão e nada mais?

A mim, orphão de amor e de carinhos,
que valeria andar d’olhos molhados
e triste, triste como o sol no occaso,
ou como nuvens negras de borrasca?
Assim, ria-me a bocca, emquanto chora
o coração que no meu peito trago,
e me julgue feliz entre os felizes
quem se deixa illudir pela apparencia.

Curitiba – Paraná
Diario da Tarde (10/02/1905), como “Nelson de Andrade”

Fagulhas

I
Beijei-te. O beijo primeiro
Sabe a mel.
Ah! não chegue o derradeiro
Que é de fel.

II
Acreditei na ventura
Um dia em que fui feliz,
Mas o goso pouco dura
E só durou-me a ventura
O que dura a flor de liz.

III
A apparencia tanto illude
Que me julgam venturoso.
Ah! quanto ser sem virtude
Que passa por virtuoso!

IV
Sonhos bons e pesadelos
Tive-os distante de ti.
Aquelles nem sei dizel-os,
Destes nunca me esqueci.

V
Choras? Signal de acre magoa
O teo pranto pode ser,
Porem de olhos cheios de agoa
Tambem se sente prazer,
Assim como, riso aos labios,
Da magoa crueis resabios
A gente busca esconder.

VI
As juras não valem nada
Quando as profere a mulher.
Si queres perder a amada
Fal-a jurar que te quer.

VII
Ninguem se queixe da vida
Por só durar um momento.
Si ella fôsse mais comprida
Maior fora o soffrimento.

VIII
Tive amores, mas agora
Não os tenho. Como flor
nasceram, nascendo a aurora,
Morreram ao sol se pôr.

IX
Dessa tua alma o mysterio
Certa vez desvendar quiz,
E, apezar do esforço serio,
Della não logrei o X.

Trabalha em vão, perde a calma,
O psychologo que quer
Saber os segredos da alma
Da mulher.

X (Sinas Iguaes)
Temos sinas iguaes. Tu, fulvo heliotropio,
Enamorado pelo sol segue-lhes o rastro,
E eu, por amor, num sonho bom, num sonho de opio,
Sigo na terra, como tu, tambem um astro.

Dirás que não ha luz que supplante a solar.
Mentira, eu te direi. Queres prova? Vaes tel-a:
De mais vivo fulgor, no mundo sublunar
Em que vivemos nós, eu conheço uma ESTRELLA...

Diario da Tarde (26/11/1910), como “Jansen de Capistrano”; Commercio do Paraná (21/08/1921), apenas o canto X com título “Sinas Iguaes”

Epitaphio de uma lyra

De menos um poeta e uma lyra de menos.
Versos? Fil-os, porém não os farei jamais.
O’ cachopas gentis de semblantes morenos
Esquecei-vos de mim e dos meus madrigaes.

E vós loiras que sois formosas como a Venus
De Milo, e tentadoras como Satanaz,
Fazei por olvidar apaixonados threnos
Que em vossa honra cantei em noites outonaes.

Certo outros menestreis, outros bardos ao ver-vos
Felizes sentir-se-ão e, eleitos das Camenas,
Poemas hão de compor cheios de febre e nervos.

Eu, no emtanto, — uma Esphinge — indifferente aos vossos
Encantos feminis, contemplarei apenas
Da minha lyra amada os ultimos destróços.

Diario da Tarde (26/03/1904), como “Jansen de Capistrano”

Enygma

O coração é um mytho. O meo, ás vezes,
Dá para rir, mas para rir assim
Como um actor de farças e entremezes
Que se nos mostra rubro de carmim.

Outras vezes, porem, desfaz-se em pranto.
— Presaga carpideira, horas a fio,
Verte lagrimas, ai! e chora tanto
Como uma cataracta ou como um rio.

E o motivo? Mysterio! Embora tente
Sabel-o, não o logro. — O coração
Indecifravel mytho... embalde a gente
Procura dar-lhe exacta solução.

Diario da Tarde (13/01/1905), como “Adower”

Em uma escola

Á senhorita Sylvia Bandeira Fernandes, intelligente professora normalista.

Aureo templo de luz... Mestre, sois sacerdote,
Pontificaes aqui neste templo sublime.
O ensino vos eleva; é a instrucção um dote
E ser analphabeto é perpetrar um crime.

O livro tem do sol a mesma rutilancia.
O cerebro quer luz. Dae-lhe a luz do saber
O’ seres infantis. Estudae. A ignorancia
E’ caminho da treva e ao abysmo vae ter.

Cultivae, com carinho, a vossa intelligencia
— Essa preciosa flor mais rica que um thesouro —
E ella então brotará como brota uma hortencia,
Ou como um gyrasol de petelas de ouro.

O estudo é como o orvalho... Horto de luz é a Escola.
E, creanças, sois vós, como a flor em botão.
A’ carencia do orvalho o lyrio se estiola.
— Não vos deixeis ficar á falta de instrucção.

Diario da Tarde (01/03/1910)

Dona Laura

Ao Dr. Emiliano Pernetta

Mysteriosa mulher que tem da estrella
D’alva o fulgor, o encanto, a seducção.
Em vão hei procurado comprehendel-a,
Ha sido todo o meu esforço em vão.

Antes eu nunca viésse a conhecel-a,
Ser-me-ia bem melhor, ao menos não
Tivera agora, meio a meio, pela
Setta do amor, varado o coração.

Desconhecendo-a desconheceria
Os desdens, os arrufos e o ciume,
Cujo aguilhão o peito nos cruscia...

Nem procurára desvendar o enima
D’alma d’Essa que, como extranho lume,
Aureo fulgor empresta á minha rima.

Diario da Tarde (31/01/1903)

Dia de finados

A Generoso Borges

Dia só de pezar! Em tom funereo
Geme o sino — dalão — seguidamente,
E por todo o infinito espaço ethéreo
Vae-se o écho feral, soturnamente.

Melancolico e triste e grave e serio,
Da saudade curtindo a magna ingente
A caminho do Nada — o cemiterio —
O povo segue vagarosamente.

Neste dia de crepe e de tristeza
Em que até se amortalha a natureza,
E em prantos se debulha a humanidade...

Eu, que no peito trago a Dor intensa,
Na campa onde dormita a minha Crença
Deponho um goivo, esfolho uma saudade.

Sapo nº 16 (16/04/1899); Diario da Tarde (02/11/1903)

Delirando

Amei te com furor e o meo amor sincero
Correspondido foi; amámo-nos, porem,
O destino tão mau como se fosse Nero
Um dia te levou para terras de alem.

Mezes e mezes mais se passaram... Tristonho
Eu vivia a inquirir onde pairavas, Flor
Como o louco que tem unicamente um sonho
Eu tinha um sonho só — eras tu meo amor.

Tu te foras assim tão repentinamente
Que não tiveras tempo a me dizer adeos.
— Ah! como fere fundo o coração da gente
Não saber onde paira a luz dos sonhos seos.

Que de cogitações, Hamleto, amargurado
Pela dúvida atroz, eu pensava: talvez
Desgostosa de mim tivesses emigrado
— Andorinha cruel — para longe, de vez.

Meo amor! meo amor! que falta que me fazes!
Sem ti não viverei, siquer, um dia mais!
Eu tenho o coração crivado de gilvazes
E não posso conter a torrente dos ais.

O’ saudade pungente! O’ desejo de vel-a
Como outrora eu a via em plena radiação,
Assim como se fôra aurifulgente estrella
Que inundasse de luz a celica amplidão.

E no meio, afinal, deste immenso delirio,
Tal como, por encanto, apparece uma fada,
Resurgiste-me tu numa pompa de lirio
Enchendo de prazer a minha alma enlutada.

E a duvida feroz como o espectro de Nero,
— Nuvem se dissipou aos ardores de sòes —
— Amamo-nos ainda e o nosso amor sincero
Sò poderá morrer quando morrermos nós.

Coritiba–Paraná
Diario da Tarde (01/07/1910)

Versos de antanho

Ao illustre amigo Dr. Bernardo Veiga

Por pelejar, talvez, com mais de trinta
Rivaes, um cavalheiro, a disparada,
De arnez, e lança em riste, e espada á cinta,
Vae como louco por deserta estrada.

Entrementes lhe grita uma voz fraca:
— Onde vos vades vós a toda brida?
O cavalheiro, presto, o pingo estaca
E diz: — Quem me tolheu nesta corrida?

Apparece-lhe, então, subito, á frente,
Um homem, de alvas cans todo coberto,
E murmura: — Fui eu, joven valente,
Por vos poupar de um sacrificio certo.

— Posto que eu vos conheça toda a fama
Conquistada em torneios singulares,
Não vale a pena, por ingrata dama,
Enfrentardes da sorte os mil azares.

— Eu, como vós, (talvez na vossa idade)
Em justas com rivaes prodigios fiz,
E em paga de tamanha heroicidade
A ingratidão matou-me como um cris.

— Não tende vós experiencia ainda
Do mundo (Jano da Mythologia)
Agora o vedes pela face linda,
Mas heis de vel-o pela feia um dia.
.........................................................

Convicto que de um velho conselheiro
Quasi sempre a palavra é uma licção,
Retrocede o animoso cavalleiro
Depois de murmurar: — Vale, ó ancião.

Arco iris (1923); Diario da Tarde (21/10/1910)

Perversidade

(A proposito da caça de cães)

O molosso fiel de antigas eras,
O velho amigo da família humana.
Guerra Junqueiro

INHUMANO FISCAL É QUEM DIRIGE A ESCOLTA...
A’ boléa do carro, em forma de capoeira,
Um velho, rédea á mão... e a garotada em volta,
Num berreiro, a berrar como num zé-pereira.

Mal surge, ao longe, um cão a molecagem solta,
Em coro, um grito: O’ lá! O “caçador” se abeira
Do rafeiro infeliz, joga laço... O’ revolta!
O’ gana de fallar como uma regateira!

“E o molosso fiel”, o nosso leal amigo,
Preso á gorja se extorce e gane (causa dó)
Por se ver agarrado e prever o castigo...

Mas, alfim, se resigna e, aos trancos, vae levado
Dentro do carro, assim paciente como um Job,
Que ao patíbulo ascende e morre sem peccado.

Arco iris (1923); Diario da Tarde (05/02/1907), como “Jansen de Capistrano”