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Enigmatico

Ao Isidoro Costa Pinto

Dizem d’ella um horror... E’ raro ouvir-se alguem
Elogial-a; enfim todo mundo a maldiz.
Não n’a incensa a pobresa e, muito menos, quem
Jamais logrou dizer: um dia fui feliz.

Os ricos, muita vez, apostropham-n’a, têm
Impetos máos e (†!) murmuram cousas vis:
Lepra de Satanaz! Mal de Lazaro! nem
Vales que se te dê um quarto de luiz...

Todavia, apezar desta grita medonha,
Affagam-n’a se acaso, ella ameaça, brincando,
Fugir, tal qual um sonho alegre que se sonha.

E’ má, é muito má, é pessima e, ainda assim,
Sendo pessima e má, todos querem-n’a quando
D. Morte apparecerá annunciando o Fim!

Bizarrias (1908); Cartão Postal (1905)

Contraste (1)

A uma dama feliz que sempre me interroga sobre a causa da minha tristesa.

Ha corações, suavissima princesa,
Felizes e infelizes; corações
Que vivem, mas num céo azul turqueza
Cheio de estrellas e constellações.

Outros a dura, a rispida fereza
Curtem da magoa presos aos grilhões,
Sem que avistem da crença a luz accesa
Como um phanal em meio ás cerrações.

E dado seja agora um claro exemplo:
O vosso, como aquelles, é ditoso.
Desconhece o pezar, conhece o goso.

O meu, no ról dos tristes o contemplo.
Um contraste afinal... Sorris emquanto
Annuvia-me os olhos agro pranto!

Arco iris (1923); Cartão Postal (1905), como “Nelson de Andrade”