Adolpho Werneck no Clube de Autores
Adolpho Werneck: Vida e Obra, em 2ª edição, está disponível no Clube de Autores.
Comparada à 1ª edição, houve vários desenvolvimentos:
- Confirmada sua primeira obra de 1903, "Dona Loura";
- Encontrada publicação mais antiga do que constava na 1ª edição, o soneto "Um raio de sol ou restea de luz", de 1887;
- Encontrado outro poema adicional "Noivos" de 1904;
- Orelhas no livro, com as capas das obras originais;
- Fotografia melhor dos presentes na coroação de Emiliano Perneta como Príncipe dos Poetas Paranaenses, em 1911.
Um raio de sol ou restea de luz
Offerecido ao meu amigo Hercilio Menezes
Tu és o raio do Sól
Que de longe veio cà
A buscar a escura nuvem
Para levar atè là
Tu que de longe viéste
A buscar tão pouca cousa,
E's quem ao mundo trouxeste
Tudo que nelle repousa...
Tua memoria tão celebre
E teu olhar tão risonho
Ambos sòmente me restam
Na lembrança de teu sonho.
E' teu sonho tão bonito
E' teu cantar tão correcto
Que encantam estes meus ólhos,
Como se eu fosse dilecto.
Tu és o raio do Sól
Que de longe veio cà
A buscar a escura nuvem
Para levar atè là
Tu que de longe viéste
A buscar tão pouca cousa,
E's quem ao mundo trouxeste
Tudo que nelle repousa...
Tua memoria tão celebre
E teu olhar tão risonho
Ambos sòmente me restam
Na lembrança de teu sonho.
E' teu sonho tão bonito
E' teu cantar tão correcto
Que encantam estes meus ólhos,
Como se eu fosse dilecto.
Trovas Paranaenses
ADOLPHO WERNECK - Pouco mais de vinte anos passaram sôbre o instante em que cerrou os olhos para o mundo um inspirado e grande Poeta, talvez não tanto ignorado, quando inexplicavelmente esquecido: ADOLPHO JANSEN WERNECK DE CAPISTRANO.
Filho da pequenina Morretes - que êle chamava "o coração do Paraná" - nasceu a 3 de Dezembro de 1877, sendo seus pais João Wernecke de Sampaio Capistrano e D.ª Maria Sorana Werneck de Capistrano.
Já em 1903 publicava "DONA LOURA", pequeno mas expressivo livro, em cujos versos iniciais dizia:
"Versos sem arte, Dona Loura é apenas
um grito d'alma no esto da paixão.
Dize-me tu, se acaso me condenas,
como calar a voz do coração!"
Em 1908 publicou "Bizarrias", contendo versos carregados de melancolia e tristeza, assinaladores, talvez, de amarga fase de sua vida, ou fruto não só de seus espírito atormentado, mas da própria tragédia humana, como em "Drama Eterno", quando compara o mundo a um grande teatro, e termina:
"Por vezes, tendo n'alma a escuridão da gehena,
pomos, por sôbre o rosto, a máscara -- mentira --
e, tal qual Arlequim, a rir, vimos à cena.
E cada qual, assim, desempenha o papel...
Um se vai, outro vem, a platéia delira,
e continua o drama -- a Torre de Babel.
Sua poesia é do melhor quilate e se encontra reunida não apenas em DONA LOURA e BIZARRIAS, mas ainda em INSONIA (1921), MINHA TERRA (1922) e ARCO IRIS (1923). Todavia, o maior acêrvo de sua arte está esparso por aí, em jornais e revistas, sob pseudonimos diversos: Ad. Janwer, Bingue, Hugo, Jansen de Capistrano, Nelson de Andrade, Plutão.
Sua atividade literária -- poeta, jornalista, humorista e prosador -- se estendeu desde a colaboração em "Clube Curitibano" e "Vitrix", à redação de "A Notícia", "O Artista" (1892) e "O Sapo". Foi um dos fundadores de "Azul" e redigiu "Carga", revista humorística.
Era funcionário da Delegacia Fiscal; no exercício do cargo, serviu na Alfândega de Corumbá, periodo em que esteve afastado da família, bastante magoando seu afetivo coração a saudade, a distância e o viver em terra estranha.
Foi casado em primeiras nupcias com D.ª Maria Antonieta Fernandes Werneck de Capistrano, tendo 9 filhos, dos quais vivem: Adolpho, Aglaé e Arion. Sua esposa, em segundas nupcias, foi D.ª Alice Taborda Werneck de Capistrano, tendo, dêsse casamento, cinco filhos, todos ainda vivos.
Muito amou sua terra natal, a serena e tranquila Morretes:
"Terra querida! Minha Terra! Terra
de sol, de luar, de sedução e brilho,
a ti eu dou meu coração que encerra
o grande orgulho real de ser teu filho!"
Foi fundador da Academia Paranaense de Letras (cadeira 29) e figura em Antologias e Dicionarios Bibliograficos, o que de certa forma lhe perpetua o nome. Isso é pouco, porém, para quem tanto brilho deu às letras araucarianas.
Grande poeta, merece sair da sombra do esquecimento e ser lembrado com admiração e carinho. Merece, do Paraná, homenagem semelhante àquela que Santa Catarina orgulhosamente prestou a Luiz Delfino: "NESTA CASA NASCEU O GRANDE POETA ADOLPHO WERNECK" -- porque bem lhe serve a frase por êle mesmo grifada em "Minha Terra": -- As letras fazem a glória de um País e, se honrar quem as cultiva, não menos resplandecem sôbre a Pátria que é o seu berço". -- GRACIETTE SALMON. --
Filho da pequenina Morretes - que êle chamava "o coração do Paraná" - nasceu a 3 de Dezembro de 1877, sendo seus pais João Wernecke de Sampaio Capistrano e D.ª Maria Sorana Werneck de Capistrano.
Já em 1903 publicava "DONA LOURA", pequeno mas expressivo livro, em cujos versos iniciais dizia:
"Versos sem arte, Dona Loura é apenas
um grito d'alma no esto da paixão.
Dize-me tu, se acaso me condenas,
como calar a voz do coração!"
Em 1908 publicou "Bizarrias", contendo versos carregados de melancolia e tristeza, assinaladores, talvez, de amarga fase de sua vida, ou fruto não só de seus espírito atormentado, mas da própria tragédia humana, como em "Drama Eterno", quando compara o mundo a um grande teatro, e termina:
"Por vezes, tendo n'alma a escuridão da gehena,
pomos, por sôbre o rosto, a máscara -- mentira --
e, tal qual Arlequim, a rir, vimos à cena.
E cada qual, assim, desempenha o papel...
Um se vai, outro vem, a platéia delira,
e continua o drama -- a Torre de Babel.
Sua poesia é do melhor quilate e se encontra reunida não apenas em DONA LOURA e BIZARRIAS, mas ainda em INSONIA (1921), MINHA TERRA (1922) e ARCO IRIS (1923). Todavia, o maior acêrvo de sua arte está esparso por aí, em jornais e revistas, sob pseudonimos diversos: Ad. Janwer, Bingue, Hugo, Jansen de Capistrano, Nelson de Andrade, Plutão.
Sua atividade literária -- poeta, jornalista, humorista e prosador -- se estendeu desde a colaboração em "Clube Curitibano" e "Vitrix", à redação de "A Notícia", "O Artista" (1892) e "O Sapo". Foi um dos fundadores de "Azul" e redigiu "Carga", revista humorística.
Era funcionário da Delegacia Fiscal; no exercício do cargo, serviu na Alfândega de Corumbá, periodo em que esteve afastado da família, bastante magoando seu afetivo coração a saudade, a distância e o viver em terra estranha.
Foi casado em primeiras nupcias com D.ª Maria Antonieta Fernandes Werneck de Capistrano, tendo 9 filhos, dos quais vivem: Adolpho, Aglaé e Arion. Sua esposa, em segundas nupcias, foi D.ª Alice Taborda Werneck de Capistrano, tendo, dêsse casamento, cinco filhos, todos ainda vivos.
Muito amou sua terra natal, a serena e tranquila Morretes:
"Terra querida! Minha Terra! Terra
de sol, de luar, de sedução e brilho,
a ti eu dou meu coração que encerra
o grande orgulho real de ser teu filho!"
Foi fundador da Academia Paranaense de Letras (cadeira 29) e figura em Antologias e Dicionarios Bibliograficos, o que de certa forma lhe perpetua o nome. Isso é pouco, porém, para quem tanto brilho deu às letras araucarianas.
Grande poeta, merece sair da sombra do esquecimento e ser lembrado com admiração e carinho. Merece, do Paraná, homenagem semelhante àquela que Santa Catarina orgulhosamente prestou a Luiz Delfino: "NESTA CASA NASCEU O GRANDE POETA ADOLPHO WERNECK" -- porque bem lhe serve a frase por êle mesmo grifada em "Minha Terra": -- As letras fazem a glória de um País e, se honrar quem as cultiva, não menos resplandecem sôbre a Pátria que é o seu berço". -- GRACIETTE SALMON. --
Noivos
A' Dona Morena
Somos noivos, emfim!
Casar-nos-emos quando
o alegre passaredo
andar cantarolando
pelas virentes copas do arvoredo.
Chegada a primavera,
a terra aberta em flores,
iremos ambos nós--doce chimera--
por uma estrada cheia de fulgores,
em direção á ermida
que se avista de cá e cujo carrilhão
pela manhã convida
os fieis á oração.
A' porta o velho cura
virá nos receber
rindo, talvez, porque nossa ventura
faz almas sans vibrarem de prazer.
Em presença do altar
contrictos ambos nós,
ao chão pregado o olhar,
murmuraremos o recebo a vós.
E pelo do hymineu sagrado laço
unidos, afinal,
voltaremos de braço,
venturoso casal,
pela mesma estrada
cheia de fulgores
ouvindo alem a alegre passarada
cantar feliz uma canção de amores.
Será nossa união
. . . . . . . . .
o duetto . . . .
de um astro e um coração.
Demosthenes de Olinda
. . . . . . . . .
o duetto . . . .
de um astro e um coração.
Demosthenes de Olinda
Somos noivos, emfim!
Casar-nos-emos quando
o alegre passaredo
andar cantarolando
pelas virentes copas do arvoredo.
Chegada a primavera,
a terra aberta em flores,
iremos ambos nós--doce chimera--
por uma estrada cheia de fulgores,
em direção á ermida
que se avista de cá e cujo carrilhão
pela manhã convida
os fieis á oração.
A' porta o velho cura
virá nos receber
rindo, talvez, porque nossa ventura
faz almas sans vibrarem de prazer.
Em presença do altar
contrictos ambos nós,
ao chão pregado o olhar,
murmuraremos o recebo a vós.
E pelo do hymineu sagrado laço
unidos, afinal,
voltaremos de braço,
venturoso casal,
pela mesma estrada
cheia de fulgores
ouvindo alem a alegre passarada
cantar feliz uma canção de amores.
Jansen de Capistrano
Obtenha o Livro
Na página do livro na Bookess você pode ler o livro gratuitamente, e também adquirir o livro impresso e em formato .PDF, além de encontrar atalhos para o livro eletrônico na Apple iBookstore e na Amazon.
O livro está disponível em formato ePub nas seguintes livrarias:
Você pode ler o livro gratuitamente clicando na ferramenta "tela cheia" (
) do leitor abaixo:
Conversa Afinada
A rádio eParaná, 97.1, transmite nos sábados às 14h o programa de entrevistas Conversa Afinada, apresentado por Sílvio de Tarso. Cada bloco de conversa termina com boa música.
Na entrevista desse sábado 19/01, Eduardo Capistrano divulga o livro "Adolpho Werneck - Vida e Obra", falando dos trabalhos para publicação dessa obra sobre seu bisavô, além de seus próprios livros.
Não perca, 19/01, 14h, na eParaná, 97.1 FM!
Lançamento do Livro
Agradeço a todos os presentes no lançamento do livro! Logo estarei adicionando algumas fotos da ocasião.
Anuncio a partir de hoje a disponibilização do livro. Visite diretamente a página do livro na Editora Bookess, onde o livro está disponível para visualização gratuita e à venda nas versões digital (em PDF) ou impressa.
O livro também tem página própria neste blog, acessível pelo atalho no topo da barra à direita, e uma versão da mesma página no meu blog.
80 anos sem Adolpho
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Iniciei as pesquisas sobre meu bisavô e sua obra há mais de dois anos atrás. O ritmo vagaroso do trabalho, a princípio, impedia que eu delimitasse qualquer data para a publicação de um seu resultado. Foi em 2010 que eu já reunia material suficiente para me propor uma data: 18 de agosto de 2012, em que se contariam 80 anos do falecimento.
Àquela época parecia ousado marcar qualquer data. Eu fotografava os textos dos livros ou microfilmes, para em seguida transcrevê-los, na ortografia original, em um arquivo .doc. Ainda estava dividido entre publicar os textos na ortografia original ou fazer uma adaptação.
Em 11/07/2011, inaugurei este blog como a materialização da solução que encontrei para o dilema: publicaria os textos na ortografia original no blog, e futuramente faria uma adaptação em formato livro. O ano foi acabando, e quando 2012 começou, sabia que precisava correr para terminar a adaptação, se queria lançá-lo em agosto.
Pouco sabia sobre meu bisavô antes de começar a pesquisa. Sei mais sobre ele hoje, mas ainda é muito pouco. E outro que tente conhecê-lo como eu tentei irá conhecer, provavelmente, outro Adolpho. É porque eu o conheci através do que ele queria ser conhecido: não por sua vida obscura, ou um cargo público, ou como qualquer um de seus pseudônimos, mas por suas palavras, por seus textos, ora engraçados, ora desgraçados, que agora estão à disposição do mundo.
Espero todos amanhã, dia 19 de agosto de 2012, a partir das 19h, na Mercearia Anos 30 (Av. Iguaçú, 3645), para o lançamento de "Adolpho Werneck - Vida & Obra".
Veja o convite original aqui neste blog ou no meu.
Àquela época parecia ousado marcar qualquer data. Eu fotografava os textos dos livros ou microfilmes, para em seguida transcrevê-los, na ortografia original, em um arquivo .doc. Ainda estava dividido entre publicar os textos na ortografia original ou fazer uma adaptação.
Em 11/07/2011, inaugurei este blog como a materialização da solução que encontrei para o dilema: publicaria os textos na ortografia original no blog, e futuramente faria uma adaptação em formato livro. O ano foi acabando, e quando 2012 começou, sabia que precisava correr para terminar a adaptação, se queria lançá-lo em agosto.
Pouco sabia sobre meu bisavô antes de começar a pesquisa. Sei mais sobre ele hoje, mas ainda é muito pouco. E outro que tente conhecê-lo como eu tentei irá conhecer, provavelmente, outro Adolpho. É porque eu o conheci através do que ele queria ser conhecido: não por sua vida obscura, ou um cargo público, ou como qualquer um de seus pseudônimos, mas por suas palavras, por seus textos, ora engraçados, ora desgraçados, que agora estão à disposição do mundo.
Espero todos amanhã, dia 19 de agosto de 2012, a partir das 19h, na Mercearia Anos 30 (Av. Iguaçú, 3645), para o lançamento de "Adolpho Werneck - Vida & Obra".
Veja o convite original aqui neste blog ou no meu.
- Eduardo Capistrano
Adolpho Werneck - Vida & Obra
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Convido todos a conhecerem a compilação de minha obra, no dia 19 de agosto de
2012, a partir das 19h, na Mercearia Anos 30 (Av. Iguassú, 3645).
Minhas poesias e poemetos, aqui transcriptos na ortographia como éra na epocha em que as escrevi, no livro irão constar com as regras novas de graphia.
Além das obras que publiquei em vida (Bizarrias, Insomnia, Minha Terra e Arco iris) e de poemas com que collaborei com diversos jornaes e revistas, o livro contém também a revista teatral "O Jornal", publicada apenas em fragmentos, e uma biographia.
Como os livros de meu bisneto Eduardo Capistrano, responsável pela obra, a compilação será publicada pela Bookess. No dia do lançamento, o livro será disponibilizado gratuitamente nos dois «blogues», além de poder ser adquirido nas versões impressa e digital.
Faça um «click» para ver o convite no blog de Eduardo Capistrano.
Minhas poesias e poemetos, aqui transcriptos na ortographia como éra na epocha em que as escrevi, no livro irão constar com as regras novas de graphia.
Além das obras que publiquei em vida (Bizarrias, Insomnia, Minha Terra e Arco iris) e de poemas com que collaborei com diversos jornaes e revistas, o livro contém também a revista teatral "O Jornal", publicada apenas em fragmentos, e uma biographia.
Como os livros de meu bisneto Eduardo Capistrano, responsável pela obra, a compilação será publicada pela Bookess. No dia do lançamento, o livro será disponibilizado gratuitamente nos dois «blogues», além de poder ser adquirido nas versões impressa e digital.
Faça um «click» para ver o convite no blog de Eduardo Capistrano.
Outono
E' como um pobre doente de ictericia
O sol amarellado. Causa dó
Vel-o, assim, como quem uma caricia
Supplica e não n'a tem, enfermo e só.
Hontem, radiante no Alto, uma delicia
E a fital-o, derramando em pó
Ouro a rodo... Dir-se-ia a esponsalicia
Festa da Terra e de Helio, ao sol-e-dó.
Hoje arvores fenecem como sonhos
Aureos, sonhados quando a primavera
Do amor enflora corações risonhos.
Tal como o sol, soturno e no abandono,
Se fica, porque a morte só se espera,
Ao vir da vida o doloroso outono.
O sol amarellado. Causa dó
Vel-o, assim, como quem uma caricia
Supplica e não n'a tem, enfermo e só.
Hontem, radiante no Alto, uma delicia
E a fital-o, derramando em pó
Ouro a rodo... Dir-se-ia a esponsalicia
Festa da Terra e de Helio, ao sol-e-dó.
Hoje arvores fenecem como sonhos
Aureos, sonhados quando a primavera
Do amor enflora corações risonhos.
Tal como o sol, soturno e no abandono,
Se fica, porque a morte só se espera,
Ao vir da vida o doloroso outono.
Elvira
Ao Hypolito Pereira
Olhos de estrella que a treva espanca,
Que a treva esgarça...
Passa, perpassa de branco, branca.
Como uma garça.
Ao sol ardente que lyrios cresta
Resplende a côma,
De onde se evola o suave aroma
De malva e giesta.
Labios vermelhos, macia rosa
De rubra cor;
Divina bocca, boca olorosa.
Como uma flor.
Pisa de manso, com tanta graça,
Mal se presente...
Parece uma ave quando esvoaça
Serenamente.
Em côro dizem todos ao vel-a
Passar tão leve:
"Visão sublime de um sonho breve!
"Rutilla estrella!
"Astro que d'alma desfaz a treva"
"Mytho, phantasma,
"Chimera, duende, sonho que enleva
"Seduz e pasma!
***
Lyrio dos lyrios! O' branco lyrio!
O' flor! O' luz!
Esgarça a treva do meu martyrio,
Tira-me a cruz...
Ando arrastado pelo caminho
Da desventura!
Nem um consolo, nem um carinho
De uma alma pura!...
Ermo de affectos me vejo agora
O' luz! O' flor!
Faze-me n'alma surgir a aurora
Fulva do amor.
Lyrio dos lyrios! O' branco lyrio!
O' flor sem par!
Espanca a treva do meu martyrio
Com teu olhar.
Olhos de estrella que a treva espanca,
Que a treva esgarça...
Passa, perpassa de branco, branca.
Como uma garça.
Ao sol ardente que lyrios cresta
Resplende a côma,
De onde se evola o suave aroma
De malva e giesta.
Labios vermelhos, macia rosa
De rubra cor;
Divina bocca, boca olorosa.
Como uma flor.
Pisa de manso, com tanta graça,
Mal se presente...
Parece uma ave quando esvoaça
Serenamente.
Em côro dizem todos ao vel-a
Passar tão leve:
"Visão sublime de um sonho breve!
"Rutilla estrella!
"Astro que d'alma desfaz a treva"
"Mytho, phantasma,
"Chimera, duende, sonho que enleva
"Seduz e pasma!
***
Lyrio dos lyrios! O' branco lyrio!
O' flor! O' luz!
Esgarça a treva do meu martyrio,
Tira-me a cruz...
Ando arrastado pelo caminho
Da desventura!
Nem um consolo, nem um carinho
De uma alma pura!...
Ermo de affectos me vejo agora
O' luz! O' flor!
Faze-me n'alma surgir a aurora
Fulva do amor.
Lyrio dos lyrios! O' branco lyrio!
O' flor sem par!
Espanca a treva do meu martyrio
Com teu olhar.
N'um Leque
Posto que eu peque
ou seja audaz, meo nome quero, escripto,
deixar n'uma vareta do teo leque
esquisito.
Posto que eu peque
ou seja audaz... talvez penses em mim
emquanto tiver vida este teo leque
de marfim.
ou seja audaz, meo nome quero, escripto,
deixar n'uma vareta do teo leque
esquisito.
Posto que eu peque
ou seja audaz... talvez penses em mim
emquanto tiver vida este teo leque
de marfim.
A Notícia (05/06/1907), como "Jansen de Capistrano"
Hymno a´ Imprensa
Salve Deusa immortal cujo brilho
Se enfunde com o brilho do sol!
Salve Imprensa! Phanal sobre o trilho
Que conduz a logares de escol!
(Estribilho): Qual astro que erra
No céo sem fim,
Tambem na terra
Brilhas assim.
Gutenberg sonhou-te radiante!
E, sonhando-te assim, seu ideal
Era ver-te fulgir cada instante
Como um astro de luz immortal!
(Estribilho)
Mensageira do Bem, mensageira
Do talento, da paz e do amor,
Onde quer que tu’ vás fica a esteira
Fica a esteira de teu resplendor!
(Estribilho)
E’ por ti que se afere de um povo,
Porque espalhas a luz do saber!
Salve, Imprensa, Phanal sempre novo
Cuja luz sempiterna ha de ser!
(Estribilho)
Se enfunde com o brilho do sol!
Salve Imprensa! Phanal sobre o trilho
Que conduz a logares de escol!
(Estribilho): Qual astro que erra
No céo sem fim,
Tambem na terra
Brilhas assim.
Gutenberg sonhou-te radiante!
E, sonhando-te assim, seu ideal
Era ver-te fulgir cada instante
Como um astro de luz immortal!
(Estribilho)
Mensageira do Bem, mensageira
Do talento, da paz e do amor,
Onde quer que tu’ vás fica a esteira
Fica a esteira de teu resplendor!
(Estribilho)
E’ por ti que se afere de um povo,
Porque espalhas a luz do saber!
Salve, Imprensa, Phanal sempre novo
Cuja luz sempiterna ha de ser!
(Estribilho)
Apotheose da revista “O Jornal”
Commercio do Paraná de 06/03/1921
Villancete (3)
Eu vos quiz antigamente,
Hoje não vos quero mais.
Sois-me agora indifferente
Como as mulheres banaes.
VOLTAS
Meu coração já não sente
O amor que por vós sentio;
Eu vos quiz antigamente
Com fervor e desvario.
O vosso desdem, emtanto,
Magoou-me como punhaes,
E se outr’ora eu vos quiz tanto,
Hoje não vos quero mais.
Daquella paixão ardente
Não resta sombra siquer;
Sois-me agora indifferente
Como outra dama qualquer.
Se me encantastes outr’ora,
Hoje vós não me encantaes.
Para mim sois vós agora
Como as mulheres banaes.
Eu vos quiz antigamente
Como um louco quer a alguem;
Porque vos via ridente
Eu era a sorrir tambem.
Hoje não vos quero mais
E não vos querendo, emfim,
A pureza das vestaes
Já não tendes para mim.
Sois me agora indifferente,
Nada em vós a mim seduz.
Si passaes á minha frente
Vejo um astro sem ter luz.
E nem vos distingo, ao menos,
Das outras com quem andaes,
Que vos vejo, minha ex-Venus,
Como as mulheres banaes.
Hoje não vos quero mais.
Sois-me agora indifferente
Como as mulheres banaes.
VOLTAS
Meu coração já não sente
O amor que por vós sentio;
Eu vos quiz antigamente
Com fervor e desvario.
O vosso desdem, emtanto,
Magoou-me como punhaes,
E se outr’ora eu vos quiz tanto,
Hoje não vos quero mais.
Daquella paixão ardente
Não resta sombra siquer;
Sois-me agora indifferente
Como outra dama qualquer.
Se me encantastes outr’ora,
Hoje vós não me encantaes.
Para mim sois vós agora
Como as mulheres banaes.
Eu vos quiz antigamente
Como um louco quer a alguem;
Porque vos via ridente
Eu era a sorrir tambem.
Hoje não vos quero mais
E não vos querendo, emfim,
A pureza das vestaes
Já não tendes para mim.
Sois me agora indifferente,
Nada em vós a mim seduz.
Si passaes á minha frente
Vejo um astro sem ter luz.
E nem vos distingo, ao menos,
Das outras com quem andaes,
Que vos vejo, minha ex-Venus,
Como as mulheres banaes.
25-8-1911
Folha Rosea (JUN/1912)
Villancete (2)
MOTE
Eu, por mal de meus peccados,
Um dia vos vi e, então,
Os vossos olhos malvados
Deram-me volta à razão.
VOLTAS
Os meus olhos sobre os olhos
Vossos puz e, por azar,
Vi-me em risco nos escolhos
Desses olhos verde-mar.
E, por mal de meus peccados,
A despeito do clamor,
Ninguem me escutou os brados
Por occupar-me do Amor.
Fôra melhor que os meus olhos
Os vossos vissem jamais...
Emtanto, a fugir de escolhos,
Tragou-me abysmo voraz.
Ao ver-vos, Senhora, os vossos
Olhos, que malvados são,
Alem dos demais destroços,
Deram-me volta á razão.
Quem vos fita cae na teia...
Porque sois, por vosso olhar,
Como a lendaria sereia
Que seduzia, a cantar.
E eu, por mim, confesso agora
Que, em vos vendo como vi,
Ferido de Amor, Senhora,
Mortalmente me senti...
Eu, por mal de meus peccados,
Um dia vos vi e, então,
Os vossos olhos malvados
Deram-me volta à razão.
VOLTAS
Os meus olhos sobre os olhos
Vossos puz e, por azar,
Vi-me em risco nos escolhos
Desses olhos verde-mar.
E, por mal de meus peccados,
A despeito do clamor,
Ninguem me escutou os brados
Por occupar-me do Amor.
Fôra melhor que os meus olhos
Os vossos vissem jamais...
Emtanto, a fugir de escolhos,
Tragou-me abysmo voraz.
Ao ver-vos, Senhora, os vossos
Olhos, que malvados são,
Alem dos demais destroços,
Deram-me volta á razão.
Quem vos fita cae na teia...
Porque sois, por vosso olhar,
Como a lendaria sereia
Que seduzia, a cantar.
E eu, por mim, confesso agora
Que, em vos vendo como vi,
Ferido de Amor, Senhora,
Mortalmente me senti...
Villa da Magoa.
Diario da Tarde (01/10/1910), como “Jansen de Capistrano”
Viboras
E’ uma cobra... Rasteja e assim de rastos ella
Anda de mouta em mouta e se um passo presente
Em derredor se espia e depois se ennovela
Prompta para assaltar a quem lhe passe rente.
E se deixa ficar, como uma sentinella,
Longas horas a fio, esperando somente
O momento em que possa, escancarando a guella,
Encravar com furor o envenenado dente.
Mas ninguem, afinal, se lhe approxima e a cobra
Que, se escuta rumor, de vigilancia dobra,
Sorrateira se vae de mouta em mouta, lesta...
Como essa ou mais crueis entre os humanos entes
Ha viboras tambem de peçonhentos dentes
Das quaes raro se escapa à mordida funesta.
Anda de mouta em mouta e se um passo presente
Em derredor se espia e depois se ennovela
Prompta para assaltar a quem lhe passe rente.
E se deixa ficar, como uma sentinella,
Longas horas a fio, esperando somente
O momento em que possa, escancarando a guella,
Encravar com furor o envenenado dente.
Mas ninguem, afinal, se lhe approxima e a cobra
Que, se escuta rumor, de vigilancia dobra,
Sorrateira se vae de mouta em mouta, lesta...
Como essa ou mais crueis entre os humanos entes
Ha viboras tambem de peçonhentos dentes
Das quaes raro se escapa à mordida funesta.
Diario da Tarde (25/01/1911)
Vias estreitas
Foi estreitada a praça do Mercado
numa das ruas lateraes. Estreita
ficará Riachuelo, onde se ageita
amplíssimo passeio de um só lado.
Já teve a rua Quinze o mesmo fado
e a Floriano e as mais outras. Desta feita
a Prefeitura, impavida, as sugeita
ao mesmo recto e regular traçado.
Cada rua trará, com tal criterio,
vastissimas calçadas ás ilhargas
e perigo aos vehiculos, bem serio:
De taes verdades com tamanhas cargas,
pode a gente affirmar sem dispauterio
que o Prefeito detesta as vias largas.
numa das ruas lateraes. Estreita
ficará Riachuelo, onde se ageita
amplíssimo passeio de um só lado.
Já teve a rua Quinze o mesmo fado
e a Floriano e as mais outras. Desta feita
a Prefeitura, impavida, as sugeita
ao mesmo recto e regular traçado.
Cada rua trará, com tal criterio,
vastissimas calçadas ás ilhargas
e perigo aos vehiculos, bem serio:
De taes verdades com tamanhas cargas,
pode a gente affirmar sem dispauterio
que o Prefeito detesta as vias largas.
Commercio do Paraná (02/06/1914), como “Gil Vaz”
Versátil
Um coração tristonho muitas vêzes
Ri às bandeiras despregadas, ri
Esquecido, o infeliz, de que os revezes,
Como bandidos, andam por aí...
O meu é assim. Após mêses e mêses
Passar chorando, basta ao pé de ti
Me vêr para olvidar as acres fezes
Das tôrvas amarguras que sofri.
A saudade é um punhal. Quando distante
Estás de mim, êsse punhal, afeito
A ferir, me golpeia, lacerante.
Mas, se te avisto, eis o meu mal desfeito:
Sinto, qual se endoidasse num instante,
Rindo e cantando o coração no peito!
Ri às bandeiras despregadas, ri
Esquecido, o infeliz, de que os revezes,
Como bandidos, andam por aí...
O meu é assim. Após mêses e mêses
Passar chorando, basta ao pé de ti
Me vêr para olvidar as acres fezes
Das tôrvas amarguras que sofri.
A saudade é um punhal. Quando distante
Estás de mim, êsse punhal, afeito
A ferir, me golpeia, lacerante.
Mas, se te avisto, eis o meu mal desfeito:
Sinto, qual se endoidasse num instante,
Rindo e cantando o coração no peito!
A Noticia (20/12/07), com o título “Soneto”;
Commercio do Paraná (22/05/1921), com o título “Transformação”
Vendo-a de novo
Hoje, dulcida Flor, que novamente
Vejo-te bella e casta como outr’ora;
Pulsa o meu coração todo contente,
Toda minha alma de prazer se inflora
O teu magico olhar resplandescente
Desfaz o véo da ausencia que apavora,
E fez dentro em meu peito alegremente
Surgir do amor a rutilante aurora.
Vieste emfim maravilhosa e pura
Rara Diva de rara formosura,
Excelsa Flor dos meus sonhares magos
E arrancaste-me d’alma agros espinhos
Com teus beijos de amor, com teus carinhos,
Com a musica febril dos teus affagos...
Vejo-te bella e casta como outr’ora;
Pulsa o meu coração todo contente,
Toda minha alma de prazer se inflora
O teu magico olhar resplandescente
Desfaz o véo da ausencia que apavora,
E fez dentro em meu peito alegremente
Surgir do amor a rutilante aurora.
Vieste emfim maravilhosa e pura
Rara Diva de rara formosura,
Excelsa Flor dos meus sonhares magos
E arrancaste-me d’alma agros espinhos
Com teus beijos de amor, com teus carinhos,
Com a musica febril dos teus affagos...
Sapo nº 46 (12/11/1899)
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